Contos do Terror Vol. II: Contos de Arrepiar.

A Terceira Presença


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Nova York, 2 de março de 2008.


” Vai ficar tudo bem… Vai ficar tudo bem… “

Pensava Susan enquanto Dany buzinava e acenava para que o motorista do Sedan cor prata andasse mais rápido, mesmo sendo sexta feira  e tirando um dia de folga do trabalho como compositora.

Teria que ficar sozinha em casa assim que saísse daquele carro e subisse para o apartamento,  seu marido teria que trabalhar a tarde, tinha sido transferido para o escritório de advocacia em uma firma localizada em Nova York.

Tudo iria ficar bem contanto que ela esquecesse os traumas de depois do acidente. Tinha dito a si mesma que era uma mulher jovem e que em breve ela engravidaria novamente.

Que muito, muito em breve iria segurar um bebê que sairia de seu ventre em seus braços, e Danny,  poderia dormir a noite sem ter que acordar preocupado se ela iria gritar ou não.

Inspirando profundamente ela apertou as têmporas e fez uma careta, estava com uma leve dor de cabeça, o corpo pesado e os olhos sonolentos devido ao cansaço e a fadiga.

Pelo menos não teria que organizar seu apartamento, sua mãe e sua sogra haviam feito isso por ela enquanto se recuperava no hospital.

Tinha decidido se mudar para Nova York antes mesmo que Danny sugerisse a mudança.

Era uma grande oportunidade para ela começar sua vida depois do acidente onde perdera seu bebê depois de uma forte pancada na barriga.

Tinha medo de engarrafamentos, por isso a cada minuto parada no meio do maldito trânsito ela sentia que iria enlouquecer, sentiu o gosto amargo de sangue ao morder a parte interna da boca.

As mãos suadas e trêmulas, fechou os olhos e soltou a respiração. 

” Vai ficar tudo bem… Susan…. Vai dar tudo certo… “.

Ela foi arrancada de seus pensamentos quando o já impaciente e estressado Danny socou o vidro da janela e gritou um palavrão quando um jovem motociclista passou entre seu carro e o do motorista ao lado.

__ Assim eu irei me atrassar uma hora a mais para o trabalho. E você para sua consulta com a psiquiatra.__ Ouviu Danny comentar antes de começar a dirigir novamente.__ Que saco. Droga de trânsito.

__ Vai dá tudo certo, querido.__ Disse ela e suspirou, bem lá no fundo aquelas palavras eram uma forma de diminuir seu próprio medo e estresse acumulado das últimas semanas enquanto viajavam.__ Apenas vamos nos concentrar em nosso novo recomeço.

Suspirando ele passou as mãos sobre os cabelos sedosos e sorriu ao olhar para ela.

__ É você tem razão. É uma nova cidade, será uma nova vida.__ Disse ele e virou para a direita, parou quando o sinal fechou e suspirou. __ Você vai gostar de nosso novo lar, o bairro é tranquilo, e de acordo com a síndica do prédio, os outros inquilinos e nossos futuros vizinhos são boas pessoas.

Sorrindo amavelmente ela olhou seu rosto pálido no espelho de um estojo de maquiagem, estava visivelmente cansada e com sono, assim como Danny, embora ele negasse.

Passando um pouco de batom nos lábios ela devolveu a maquiagem de volta a bolsa e sorriu para Danny que tirou as mãos do volante para aplaudi-la, gritando em meio a um susto seguido de risadas ela deu alguns tapas em seu ombro e suspirou.

__ Se quer ver seus futuros netos Danny Hilton, é melhor continuar com as mãos no volante ok ?__ Disse ela e ele sorriu.__ Isso não tem graça…

Virando a cara para o lado ela suprimiu a vontade de chorar e colocou a mão sobre o peito, evitando lembrar do acidente de meses antes, ainda estava sendo difícil pra ela, tinha perco seu bebê, e quase perdera Danny também.

Sem Danny seu primeiro e único amor nada mais teria sentido. Tinham esperado um pelo outro desde pequenos, namorado no ensino médio e durante a faculdade.

Estavam casados a poucos mais de dois anos, ela, uma compositora e escritora, ele um advogado com alto QI e um futuro promissor.

Mesmo após o acidente, os dois ainda eram felizes e seriam assim por toda vida. Tinham feito uma promessa de superar juntos, o que quer que a vida colocasse em seus caminhos.

Sentindo que ele a olhava preocupado e sério ela soltou a respiração levemente e olhou para ele, deu um sorriso forçado e pós a mão em seu ombro.

__ Desculpe querida, eu só queria vê-la sorrir.__ Começou ele e parou o  carro em frente a um prédio.__ Prometo que não irei mais fazer isso.

__ Esta perdoado.__ Disse ela e o beijou antes de sair para fora do carro, pegou sua bolsa e aspirou profundamente o ar a sua volta.__ Uau… Realmente é um prédio grande e bonito.

__ Eu disse que você ia gostar. Nosso apartamento também é bom, tem bastante espaço.

Disse ele ao abrir o porta malas do carro. Ainda admirando as janelas azuis do Dickens Palace Hotel, ela cumprimentou um casal de idosos que passara por ela e depois sorriu para uma mulher um pouco mais velha  que ela.

De acordo com as informações que vira no catálogo apresentado por seu marido, aquela era Cindy Wayne, a síndica do prédio, ela e seu marido haviam comprado o Prédio Dickens e reformado no modelo de um hotel de luxo cinco estrelas, embora ela desconfiasse que tudo não passava de marketing para atrair a atenção dos clientes.

E Danny, depois de uma única olhada havia sido fisgado pelo preço do único apartamento a venda, o preço era realmente bom e barato, assim como a localização e todos os requisitos feitos por seu marido.

Por fora, a fachada e as janelas com vidraças  cor azul escuro eram encantadoras, a quantidade de andares impressionava, e a cobertura luxuosa também.

Tinha investigado a fundo sobre aquele prédio, no passado ele era um prédio que servia apenas como um edifício para guardar documentos da polícia, e bem antes disso tinha servido também como a sede de um jornal que falira com o passar do tempo.

Agora era um edifício elegante e luxuoso, com reformas e altos investimentos em seus apartamentos com uma vista ótima da cidade. Estava ansiosa para conhecer seu novo lar.

De acordo com Danny o apartamento era espaçoso, assim como os demais,  os elevadores funcionavam corretamente, assim como encanamento e a energia em cada andar.

__ Você deve ser o senhor Danny Hilston e sua esposa Susan Hilston, estou certa?__  Ouviu a mulher dizer e sorriu ao apertar sua mão.__ Sou Cindy Wayne a síndica e esposa do dono do Dickens, é uma honra ter pessoas tão gentis e promissoras como vocês.

__ Fico grata por sua hospitalidade, realmente o Dickens tem tudo que o catálogo de marketing diz.__ Disse Danny ao cumprimentar a mulher.__ É um prédio bem elegante.

__ Bem o reformamos para isso, para cativar e encantar os clientes.__ Disse a mulher e cruzou as mãos em frente o corpo.__ Bem, espero que se sintam confortáveis em seu novo lar e sejam bem vindos ao Dickens Palace Hotel, irei  acompanha-los até seu apartamento.

__ Obrigado mais uma vez senhora Wayne.__ Disse Susan e sorriu gentilmente.__ Também espero que sejamos boas amigas.

__ E seremos.

Acompanhado a mulher e Danny, Susan sorriu diante do hall de entrada do prédio, pegou a chave com a moça da recepção e caminhou até o elevador que ficava a esquerda enquanto as escadas ficavam a direita, uma enorme luminária iluminava todo o hall onde haviam sido instalados câmeras de segurança a pedido dos próprios clientes.

Seu andar era o 15, e seu apartamento o 337, o corredor até seu apartamento era bem decorado, haviam vasos de plantas que limpavam o ar e traziam vida as paredes brancas e o carpete preto do andar, tinha notado que em quase todas as portas dos outros apartamentos haviam plaquinhas com memorandos, ” família Sullins ” Lar dos Mordesons. ” Que Deus abençoe nosso lar “. Se perguntou se também teria que comprar uma placa de boas vindas e pendurar em sua porta.

Mais a própria senhora Wayne havia se encarregado disso, tinha comprado uma placa de boas vindas e pendurado na porta no dia em que seus móveis e pertences chegaram. Tinha dito conhecer a mãe de Susan e sua sogra, a mãe de Danny.

Depois de conhecer seu novo lar ela tomou um bom e demorado banho, assim como Danny, devido ao cansaço os dois haviam resolvido cancelar a agenda  daquela manhã, e depois de dormir durante todo o dia, Susan acordou por volta das seis da tarde.

Danny havia saído as cinco para um encontro com seu novo cliente e só voltaria as dez da noite. Era um caso complicado o que havia decidido defender. Sozinha ela explorou cada parte do apartamento, assim como do andar, tinha recebido visitas de seus vizinhos.

E até mesmo jantado na casa da senhora Dewey, uma senhora na casa dos 70 anos e seu filho Smith. alguns vizinhos dos outros andares também tinham lhe dado as boas vindas enquanto fazia seu tour pelo prédio.

De volta a seu apartamento ela pediu uma pizza e decidiu esperar Danny, mais acabou dormindo no sofá da sala, acordou por volta das nove da noite ao ouvir a campainha tocar, abriu a porta pensando que fosse Danny mais não havia nada do lado de fora, nem mesmo um dos vizinhos passando em frente.

Lembrou-se do que a senhora Ellijah do apartamento ao lado havia dito, havia um casal de crianças do 13 andar, sempre subiam para os outros andares e apertavam as campainhas. Iria deixar o evento passar por que eram apenas crianças.

Adormeceu novamente na sala de está, acordou por volta das 22:30 da noite. Voltou a dormir, acordou em seu quarto horas depois, com a sensação de que era observada. Ascendeu as luzes do quarto mais não havia nada e nem ninguém, saiu do quarto e suspirou.

Danny tinha decidido não acorda-la, uma vez que ela estava cansada, estava largado em uma poltrona próximo a janela, parecia cansado, a gravata frouxa envolta do pescoço, tinha fumado um cigarro e bebido uma taça de vinho.

A luz fraca da lua entrando pela janela tornava suas mãos e face fantasmagóricas, pensou em chama-lo mais o sono a venceu, apenas o cobriu com um lençol e o beijou antes de se deitar no sofá, observou-o por um bom tempo antes de voltar a dormir.

Sem antes tirar de sua cabeça a sensação de ter visto um sorriso malévolo e sombrio enquanto Danny a olhava de uma forma fria e assustadora. Embora por um momento, aquele não parecesse seu esposo e sim outra pessoa.

Acordou por volta das três da noite depois de um pesadelo enquanto Danny a chamava.

No sonho, Danny a olhava da janela com o rosto ensanguentado, enquanto ela caia depois de pular da janela.


                           👻👻👻👻


1 mês depois….


__ Danny seu maníaco, deixando bitucas de cigarros espalhados pela sala.

Resmungava Susan enquanto limpava a sala de está com o aspirador de pó, um mês havia se passado desde a mudança para  o novo apartamento, e um mês havia se passado desde que Danny voltara a beber e fumar ao chegar do trabalho.

Tinha sido um mês tranquilo para ela aquele, mais não para Danny, ele estava cada vez mais cansado e fraco, como se o  caso que defendia estivesse sugando sua vida.

O ambiente e a forma como a tratava diariamente também havia mudado, ele havia causado uma verdadeira cena em um jantar beneficente, tinha tomado algumas taças de vinho e tido uma crise de ciúmes.

Em casa ele havia dormido no sofá da sala, depois de um pedido de desculpas. Desde que se mudaram ele havia apresentado um comportamento agressivo e isso a deixava assustada, por isso nos dias seguintes após suas discussões ela permanecia em silêncio.

Não entendia o que estava acontecendo, pensara que teria uma ótima recuperação se saísse de onde moravam, se ficassem longe da cidade  onde acontecera o acidente.

Mais a verdade, é que nas últimas semanas estava cada vez mais cansada, assim como Danny estava cada vez mais distante. Era como se fosse outra pessoa. Sempre que ele saia para o trabalho e ela ficava sozinha, era como se seus olhos frios ainda a observassem.

Tinha comentando o ocorrido com a psicóloga, mais tudo que a mulher dizer a, era que tudo aquilo fazia parte do estresse após as consequências causados pelo acidente.

Voltou a realidade quando sentiu um arrepio, a estranha sensação de que alguém a olhava a fez se virar em direção a cozinha e ela engoliu em seco.

O barulho de vidro quebrando a fez soltar o aspirador de pó e gritar, um vento forte entrava pela janela aberta,  balançando as cortinas brancas, olhou para o chão e notou um jarro com rosas caído próximo a janela.

Com o coração acelerado ela desligou o aspirador e sorriu, se abaixou e começou a pegar os cacos de vidro. Pegou as rosas e as levou até a cozinha, as colocou dentro de outro jarro com um pouco de  água e tremeu quando um novo arrepio trespassou todo seu corpo.

De repente toda a cozinha havia ficado gelada, ouviu o som de passos e do barulho da porta da frente se abrindo, olhou o relógio em seu braço e sorriu, Danny havia chegado mais cedo.

__ Danny querido, o que houve? Chegou cedo do trabalho.__ Disse ela ao abrir a geladeira, pegou uma jarra com suco e a colocou sobre o balcão.__ Danny… Querido, por que não está respondendo? Já sei está estressado…

__ Eu estou bem… Apenas cansado.__ Ouviu-o dizer e então sentiu um calafrio.__ De quem é esse cheiro?

__ Que cheiro?__ perguntou ela e se abaixou para pegar uma colher caída próxima ao balcão.__ Os únicos cheiros desse apartamento são os nossos. Escuta, você está bem?

Ela ouviu-o parar de andar e então ficar em silêncio. Estava prestes a levar o copo de suco a boca quando um cheiro de podridão horrível a fez fazer uma careta. Cheirou o líquido e o derramou sobre a pia. Estava estragado.

Olhou para as maçãs dentro de uma fruteira sobre o balcão e jogou o suco fora ao perceber que as maçãs estavam estragadas. Derramou todo o suco da jarra e inspirou profundamente.

__ Sua mãe vira nos visitar na semana que vem.__ Continuou ela ao ouvir Danny  se aproximar da entrada da cozinha. __ Ela irá trazer um presente…

__ Eu não quero que ela venha… Eu não quero.

A voz fria e irritada a fez prender a respiração, medo fez com que suas mãos trêmulas soltassem o copo e cobrisse a boca,  engoliu em seco ao ouvir os passos apressados caminhando em direção a ela.

__ Da… Danny…__ Sussurrou ela quando algo frio tocou seu pescoço.

__ Eu não quero que ninguém venha…

Imóvel e sem se virar ela sentiu as pernas fraquejarem, ouviu  os passos de Danny saírem apressados da cozinha.

Ele tinha estado estranho nos últimos dias. Dizia coisas estranhas enquanto dormia, e quando estava sozinho no escritório. Também consultava as chamadas da secretaria eletrônica e de seu celular.

Mais aquilo, aquele tipo de toque em seu ombro, o temperamento violento não era o de seu marido. Virou-se lentamente e enxugou as lágrimas.

Nos últimos dias, vinha sentindo-se observada até mesmo no  banho, e enquanto dormia, pensara ser Danny, mais sentia que além dos dois, era como se houvesse mais alguém naquela casa. Uma terceira pessoa.

__ Danny…__ Chamou ela e tremeu quando um vento frio entrou pela janela da sala.

Aquela voz, não era a de Danny, concluiu ela ao ouvir o barulho da porta do quarto bater, caminhou até o quarto em passos silenciosos e prendeu a respiração ao colocar o ouvido próximo a porta.

__ Danny ? Está tudo bem querido? __  Perguntou ela, a voz trêmula e assustada. Bateu levemente na porta.__ Dan…

O som de uma respiração pesada e cansada do outro lado da porta a fez se afastar, abriu a porta do quarto levemente e olhou pela fresta, as janelas estavam fechadas, havia somente a luz do abajur iluminando fracamente o  quarto.

Mais era claro o suficiente para ela notar uma figura  segurando uma faca, parado próximo a janela, segurando uma das cortinas.

Sentiu um arrepio. O som do aspirador ligando a fez correr até a sala com o coração acelerado, enquanto passos apressados a seguiam, algo gelado segurou em seu tornozelo fazendo com que caísse e ela olhou para trás.

Parado atrás dela havia um homem, ele tinha o rosto escuro pela pouca luz do corredor, segurava uma faca e por um momento ela pensou ter visto-o sorrir. Gritou quando seu tornozelo começou a dor.

Levantou-se assustada e correu. Medo se espalhou em sua mente ao abrir a porta da frente e correr em direção ao apartamento do vizinho, aquela não era a voz de Danny, e aquele homem parado próximo a janela, não era seu marido.

Começou a bater na porta do vizinho mais próximo e se afastou quando um jovem abriu a porta de repente.

__ Senhora Hilton o que houve?__  Perguntou ele quando ela segurou suas mãos.__ Está  tremendo…

__ Alguém… Alguém entrou em meu apartamento. Tem alguém no quarto com uma faca na mão. __ Disse ela e engoliu em seco, lágrimas molhavam seu rosto pálido e assustado.__ Eu estava na cozinha, pensei que era meu marido mais não era sua voz…

Preocupado e confuso o rapaz saiu para fora e fechou a porta, olhou em direção de seu apartamento e depois olhou para ela novamente.

__ Bem, isso é um pouco perturbador… Você  quer que eu dê uma olhada?__ Perguntou ele e ela balançou a cabeça.__ Se quiser posso chamar a segurança…

__ Por favor faça isso…__ Disse ela e ele engoliu em seco.

Acompanhou o rapaz até o apartamento, tremeu quando ele entrou na sala, desligou o aspirador de pó e pediu que ela fizesse silêncio,  pegou um jarro como arma e caminhou até o quarto.

Com medo e tensa ela ouviu-o abrir a porta de seu quarto, fechou os olhos, o  coração acelerado, e quando ele voltou ela soltou a respiração trêmula.

__ Desculpe, mais não tinha nada e nem ninguém, acho que ele deve ter saído quando você correu.__ Disse ele e ela enxugou uma lágrima.__ Acho que pedirei para meu amigo Patrick dá uma olhada nas câmeras de segurança, talvez apareça algo.

Nervosa e com as mãos trêmulas ela tentou sorrir e o agradeceu quando ele inspirou profundamente, deu uma última olhada no apartamento e depois saiu.

Tinha  alguém sim naquele quarto, e Danny, tinha ouvido a voz de seu marido. E a voz de um outro homem. Algo havia segurando em sua perna e até mesmo tocado seu ombro.

Mais agora, tudo parecia deserto e silencioso. Como se somente ela estivesse estado ali.

Curiosos devido a comoção alguns vizinhos e pessoas que passavam pelo corredor a olhavam assustados e preocupados.

Cinco minutos depois dois seguranças ao lado de um policial apareceram para checar se realmente estava tudo bem.

Para seu total desespero nas imagens das câmeras de segurança ninguém havia entrado em seu apartamento, as imagens mostravam apenas ela correndo e depois o vizinho entrando. Não havia ninguém estranho, e nem mesmo Danny.

Tinha se desculpado com todos por causar um alvoroço e voltado para seu apartamento confusa.

Sozinha ela olhou cada cômodo do apartamento novamente e pegou o telefone, tentou ligar para Danny mais seu celular estava desligado. Depois de se acalmar ela terminou a faxina, tomou um banho e decidiu tomar um pouco de ar fresco.

Horas depois, enquanto olhava para a janela de seu quarto ela chorou ao notar Danny observando-a da janela e atrás dele, havia algo. Uma terceira pessoa que a olhava friamente.



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__ Querida você está bem?

Sentada em um lado da cama Susan tremeu quando Danny tocou seu ombro. Fechou os olhos, suas mãos frias fizeram com que seu coração acelerasse.

Embora diferente do toque de dias antes, este era diferente, não era violento e nem amedrontador. Sorriu e soltou a respiração quando ele a abraçou.

Tinha tido um pesadelo estranho, onde Danny a perseguia com uma faca. Acordou assustada com ele balançando-a freneticamente.

__ Danny… Danny… Foi horrível.

__ Foi só um pesadelo.__ Dissera ele enquanto a abraçava.

Tinha contado a ele sobre os acontecimentos de antes. Da sensação de está sendo observada, das frutas apodrecendo do nada, das luzes piscando, dos passos a noite ou durante o dia quando estava só.

Mais Danny parecia não acreditar em suas palavras. Sua psicóloga havia lhe indicado novos remédios, e disse que tudo havia sido causado pelo estresse feitos ao acidente.

Decidiu esquecer os acontecimentos e acreditar em Danny, beijando-o no rosto ela suspirou.

__ Preciso de um pouco de ar fresco.__ Disse ela e ao se erguer.__ Você vem comigo?

__ Por que não fica um pouco lá fora, vou preparar um pouco de chá.__ Disse ele ao beija-la rapidamente.

__ Eu te amo Danny.

Disse ela e sorriu quando ele a apertou contra si.

__ Eu também amo você.

Do lado de fora do prédio ela sentou-se no banco de um parquinho onde um senhor vendia pipocas e sorvete, comprou um sorvete e verificou as mensagens em seu celular.

Por mais que tentasse esquecer o que havia acontecido uma semana antes ela não conseguia, tinha ouvido a voz de Danny, sentido sua presença, pior que isso, havia alguma coisa acontecendo.

Algo lhe dizia que ela e Danny não eram os únicos a viverem naquele apartamento. Havia algo mais.

Suspirou e voltou a tomar seu sorvete enquanto observava as crianças do décimo terceiro andar correrem atrás uma das outras ao redor de seus pais que tiravam fotos.

A menina deveria ter entre nove ou dez anos, havia um pequeno garotinho de cinco anos e um bebê recém nascido em um carrinho.

Pareciam uma família feliz notou ela, e sorriu. Ficou assim por um bom tempo até decidir checar sua caixa de e-mails, não haviam mensagens de Danny, nem mesmo uma ligação.

Estava prestes a se erguer para sair quando uma senhora segurando uma bolsa velha se aproximou, por ser desprovida de visão ela era auxiliada por seu cão guia, deu um passo para trás quando a mulher parou e a olhou fixamente.

__ Senhora, está tudo bem com você?__ Perguntou ela quando a mulher tirou algo do bolso.__ Senhora…

__ Você viu ele não viu ? __ perguntou a mulher e ela deu outro passo para trás.__ Aquele que a olha dormir? A sombra do seu esposo?

Engoliu em seco, lembrou-se do acontecido, do homem parado atrás de Danny,  do homem que a derrubara no corredor e segurava uma faca.

A velha parecia esperar ansiosa por sua resposta, mais ela não respondeu. Os boatos sobre o acontecido haviam se espalhado por todo o prédio, as crianças e os mais jovens a chamavam de louca.

Alguns de seus vizinhos religiosos haviam convidado-a para ir até a igreja. Diziam que ela precisava da palavra de Deus em sua casa.

Mais ainda assim ela sabia que não era louca. Sabia bem o que havia visto.

__ Quem… É você? Ouviu os boatos de que sou louca ?__ Perguntou ela e a mulher sorriu.

__ Eu não moro neste prédio, mais sei que os inquilinos em quase todos os apartamentos não são os únicos a viverem aqui.__ Disse a velha e estendeu algo a ela.__ Aquela coisa atrás do seu esposo, se alimenta de seu medo, está se fortalecendo…

__ Eu não sei do que a senhora está falando. Como sabe de tudo isso se é cega? __ Perguntou ela e olhou para a janela do quarto.__ Eu só apenas não estava bem naquele dia…

__ Você não é louca minha cara. Todas as mulheres naquele apartamento ou morrem ou ficam loucas.__ Continuou a mulher e sacudiu a mão como se quisesse afastar algo.__ Aquele lugar é um inferno para quem não tem fé. Eu preferiria a rua a viver neste prédio.

Observando-a abrir uma bolsa de couro velha e surrada pelo tempo Susan deu um passo para trás quando ela tirou algo de dentro.

__ Talvez ele fique longe se usar isto.

Disse a velha e estendeu um crucifixo de madeira a ela que engoliu em seco ao ouvir os guizos na pulseira da mulher balançarem quando ela moveu a mão em sua direção novamente.

__ Mais e meu marido?__ Perguntou ela ao soltar a respiração. Mesmo que negasse, aquela velha  parecia saber o que havia acontecido.__ E Danny, como afasto aquela coisa de perto dele ?

__ Ele não quer o seu marido, ele gostou de você. __ Disse a velha.__ Ele gosta de você.

__ O que sabe sobre aquela coisa? __ Perguntou ela e seguiu a senhora até o outro lado da rua.__ Quem é ele? E por que eu?

__ Eu não sei sobre a sua história, mais ele era um homem ruim para sua esposa infiel.__ Disse a velha e parou.__ Eu não sei seu nome, nem como se originou e nem como morreu. A única coisa que sei é que Patrícia, a última mulher a morar naquele apartamento se suicidou no banheiro a 30 anos atrás.

__ Então quer dizer que alguém morreu nesse prédio antes?__ Perguntou ela e olhou para o prédio e engoliu em seco.__ Mais quando eu pesquisei não havia nenhum caso de morte.

__ Os síndicos e os donos sempre somem com as notícias e os boatos. __ Disse a velha.__ É tudo marketing.

__ E como eu afasto ele ?__ Continuou Susan.

__ Vá embora do prédio, aquela coisa não pode ser destruída.__ Disse a velha e apontou para o prédio antes de entrar em um táxi.__ Vá embora e não tenha o mesmo fim de Patrícia.

Sentindo um arrepio ela engoliu em seco quando o carro saiu. Meia hora depois ela voltou para o apartamento, onde Danny dormia calmamente no sofá depois de tomar uma xícara de chá.

Cobriu-o com um lençol e sentou-se no chão enquanto observava-o dormir.

📿📿📿

Uma semana havia passado desde que Susan havia tido seu último pesadelo com o homem da faca. A vida havia voltado ao normal, assim como Danny, tinha recebido a visita de sua sogra e de alguns amigos de Danny para comemorarem seu aniversário de 37 anos.

Depois dos últimos acontecimentos e da conversa com a senhora cega ela tinha conseguido dormir a noite, Danny estava feliz com sua recuperação.

Tinha parado de ir nas sessões de terapia psiquiátrica. Mais embora conseguisse dormir, as vezes, poucas vezes sentia-se observada, a coisa ainda estava presente, tentando se aproximar dela.

Não sentia tanto medo quanto antes por que sabia que ele se alimentava disso. Tentou localizar a mulher cega mais não conseguiu.

Frustrada ela resolveu investigar com os vizinhos sobre algum caso de morte por suicídio ou assassinato no prédio, alegando ser para um livro, mais não havia nada.

Poucos dias mais tarde ela descobriu algo. O marido de Patrícia, a mulher que havia se suicidado 30 anos antes, estava preso, embora a velha houvesse dito que era um caso de suicídio, segundo a polícia e a família da vítima, seu esposo havia assassinado- a e feito parecer um suicídio.

Decidira fazer uma visita ao ex esposo de Patrícia, alegando ser uma prima distante que queria vê-lo depois de anos.

Embora o homem não a conhecesse tinha decidido aceitar a visita.

__ Senhor Carlos Gonzáles?__ perguntou ela pelo telefone, do outro lado do vidro de segurança da cabine o homem sorriu gentilmente. __ Sou Susan Hilton, e moro no apartamento 337 do Dickens….

__ Não fale… Não mencione o nome daquele maldito prédio.__ Disse o homem interrompendo-a bruscamente.__ Eu não quero me lembrar do que aconteceu lá.

O homem estava nervoso e impaciente, os olhos arregalados, as mãos trêmulas. Engolindo em seco, Susan tremeu. O que quer que houvesse acontecido com ele o deixara transtornado.

__ Que coisas?__ Indagou ela, a voz trêmula.__ Senhor, o que tem naquele apartamento? O que aquela coisa lhe fez?

__ Ele fez com que minha amada Patrícia enlouquecesse a ponto de tirar a própria vida.__ Disse ele, passou as mãos sobre os cabelos.__ Dizem que eu a matei, mais eu não fiz isso…

__ Eu o vi.

Disse ela e fechou os olhos, lembrou-se da figura parada próxima a janela, dos sonhos em que ele a perseguia, da sensação dele observando-a com seus olhos frios e cruéis.

Abrindo os olhos ela encarou o prisioneiro e enxugou as lágrimas.

__ Ele está atrás do meu esposo, tem me atormentado.__ Continuou ela e o senhor Carlos se moveu para a frente.__  O que eu faço? Como posso me livrar disso? O que é ele?

Erguendo-se abruptamente,  o homem com a barba rala por fazer e os cabelos desagregados a encarou friamente.

__ Eu não sei o que ele é, mais se alimenta do medo e da raiva, pelo seu estado ele está te matando aos poucos.__ Disse ele e apertou firmemente o telefone.__ Ele era um homem perturbado, tinha ciúmes da esposa, e a matou, ninguém sabe como ele  morreu, mais ele está lá naquele apartamento, vivendo como um parasita desgraçado.

Assustada Susan se ergueu, lembrou-se de Danny,  da forma como reagia sempre que a olhava. De sua mão levantada em direção a seu rosto.

Dele impedindo-a de falar com seu amigo de infância em um jantar. Danny realmente havia mudado.

__ No 50 dia, seu marido morrera e você ficará como eu.__ Sentindo um arrepio ela tremeu.__ Esse é o número de facadas que ele deu em sua primeira esposa. Se você não sair daquele lugar você ou ele morrerão, e se um de vocês sair um terá que ficar para trás.

__ Ele quer o Danny.__ Disse ela em um sussurro.__ Ele não quer a mim, ele quer o Danny…

Compreendendo-a, o senhor Carlos acenou para o policial e a olhou novamente.

__ Ele fez o mesmo comigo e Patrícia, e veja onde estou… Mais diferente do que pensa, ele não quer seu esposo, ele quer você.__ Disse ele.__ Se você quer viver e quer salvar seu marido saia daquele apartamento, deixe aquele prédio antes que seja tarde.

Olhando uma última vez pra ela o homem a cumprimentou e saiu acompanhado pelo policial.

Saindo do presídio ela entrou em seu e saiu, tinha que chegar em casa antes  de Danny, não podia deixa-lo sozinho.

Iria embora daquele prédio o mais rápido possível, mesmo que Danny relutasse, iria para a casa de sua mãe, compraria outro apartamento. Iria para longe do Dickens Palace Hotel.

__ Alô, Danny, por favor atenda Danny. __ Disse ela e ultrapassou o sinal, virou em uma rua pouco movimentada e tentou ligar novamente.__ Droga, atenda, vamos querido…

Ultrapassando um carro ela buzinou antes de avançar o sinal novamente e olhou para o telefone novamente, o coração acelerado, as mãos trêmulas.

Parou o carro no estacionamento e saiu apressada em direção ao elevador, apertou o número do andar em que ficava e tentou ligar novamente para Danny que atendeu depois de alguns minutos.

__ Danny, onde você está querido?__ perguntou ela quando o elevador começou a se mover.

__ Estou em casa, fechei o escritório um pouco mais cedo.__ Disse ele e ela pode ouvir o barulho da TV.__ E você? Onde esteve o dia inteiro?

Sentindo o coração acelerar ela sentiu suas pernas ficarem fracas. Apertou o telefone.

__ Danny saia já desse apartamento,  não importa o que esteja fazendo saia desse lugar agora.__ Disse ela impaciente.__ Por favor Danny…

Uma interferência fez com que o telefone ficasse mudo enquanto a voz de Danny se tornava distante.

__ O que está acontecendo querida? Onde você está? Susan ?

__ Danny?__ Chamou ela quando a ligação começou a falhar.__ Danny… Que droga.

Ouviu o barulho de algo cair no chão, depois o som de uma risada assustadora e fraca, engoliu em seco ao ouvir a respiração pesada do outro lado da linha.

__ Danny…

Chamou ela.

__ Susana…__ Disse uma voz fria e baixa, soltou o telefone, não era a voz  de Danny.

Sentindo um calafrio ela saiu para fora quando o elevador se abriu e correu em direção ao apartamento, os olhos marejados, as mãos trêmulas, parou em frente a porta e engoliu em seco.

Danny estava em perigo, assustada e com medo ela tentou abrir a porta e percebeu que ela estava aberta, tentou ascender as luzes mais não teve sucesso.

A TV ligada era a única luz a iluminar a sala, tremendo Susan começou a chorar, a respiração pesada ecoava pela sala.

__ Danny? __ Chamou ela em meio a pouca luz. Pisou em algo e quase gritou ao perceber que eram cacos de vidro.__ Danny onde você está?

Ascendendo a luz do abajur ela olhou em direção ao quarto, quando algo se moveu no corredor, um vento frio balançava freneticamente as cortinas.

O vulto no corredor escuro voltou a se mover novamente, caminhava em passos lentos, sentiu o ar ficar pesado e frio, imóvel ela prendeu a respiração e encarou a coisa.

__ Susana… Susan… Aqui.

Ouviu um sussurro e então gritou  quando a TV explodiu e os móveis começaram a se mover, tentou correr em direção a porta mais está se fechou em um baque assustador.

Sentiu algo frio tocar seu ombro, algo frio e molhado e se virou, gritou ao se deparar com uma garota um pouco mais jovem que ela, está tinha cortes por toda a barriga e sangrava sem parar.

Ela abria a boca como se pedisse algo, os cabelos molhados cobriam seu rosto pálido e  sujo de sangue. Afastando-se apavorada Susan cobriu a boca quando a mulher desapareceu, deixou-se cair encostada na parede e prendeu a respiração ao ouvir uma risada vinda do quarto.

As risadas ecoavam em meio a gritos e sons de socos na parede, Susan ergueu-se, as pernas fraquejando em meio ao desespero, estava prestes a correr  quando ela ouviu a porta do quarto bater bruscamente.

Com medo, e despertada, as pernas bambas, e um grito preso em sua garganta ela sentiu alguém se aproximar dela a passos lentos. Fechou os olhos, e sentiu o toque gélido em seu ombro seguido de uma respiração pesada e fria.

__ Susana…

O sussurro a fez engolir em seco ao ouvir a voz de Danny ecoar pela sala silenciosa.

__ Danny… O que está fazendo? O que está acontecendo?__ Perguntou ela e engoliu em seco.__ Querido precisamos ir embora daqui, você precisa vim comigo…

Danny sorriu e a afastou, a mão segurando fortemente o seu pulso, fazendo com que ardesse.

__ Eu estava esperando… Nós esperávamos por você.__ Disse ele e ela tremeu ao ouvir a mesma voz de antes.__ Eu esperava por você…

__ O que quer?__ Indagou ela e mordeu a parte interna da boca quando ele sorriu.__ Eu sei tudo sobre você, sua coisa desgraçada… Você me quer então deixe Danny ir.

__ Não…

Movendo-se rapidamente ela o empurrou e correu em direção ao quarto, trancou a porta e gritou eufórica quando ele começou a golpeá-la, sua voz alta e fria, parecia uma mistura de diversas vozes, vários tons e volumes.

Abrindo a janela do quarto ela respirou e olhou para baixo, se pulasse morreria, era muito alto, apertou o colar em seu pescoço, e pegou o porta retratos com uma foto sua e Danny no dia de sua casamento.

Lembrou-se do que havia descoberto sobre os eventos ocorridos antes naquele apartamento, encostou-se na parede e apertou o porta retratos. Tinha que sair daquele prédio, tinha que salvar Danny.

__ Dê a ele o que ele quer…

Ouviu um sussurro e tremeu, abriu os olhos e engoliu em seco ao observar uma mulher ensanguentada próximo ao banheiro, uma trilha de sangue a seguia como água derramada.

A mulher segurava uma navalha em uma das mãos,  sangue saia de seus pulsos e escorria por seus dedos longos e pálidos.

__ E o que ele quer ?__ Perguntou ela e soltou o porta retratos, deu um passo a frente.__ Se eu fizer isso ele deixara o Danny? Quem é você?

A mulher apontou para um nome desenhado com sangue sobre a cama e ela cobriu a boca com as mãos trêmulas ao ouvir nome de Patrícia. O fantasma era o da antiga moradora.

__ Susana…

A voz de Danny a fez gritar assustada e ela correu em direção ao banheiro quando o fantasma desapareceu, ligou a torneira, pegou a navalha sobre a pia e entrou na banheira.

Sentiu a água fria contra seu corpo e soltou a respiração quando a porta do quarto foi aberta e ela observou Danny vir em sua direção, os olhos vermelhos, o rosto pálido e sujo de sangue, os cabelos bagunçados e um sorriso aterrador.

E atrás dele, como se saísse de suas costas, estava a coisa, a sombra aterradora e assustadora.

__ Susana…

Colocou a navalha sobre o pulso direito e o encarou se aproximar, toda a sua vida ao lado de seu marido veio a memória, os melhores momentos, desde o momento em que se conheceram até aquele, sorriu e o encarou.

__ Eu te amo Danny.

Disse ela e inspirou antes de começar a cortar o pulso, sentiu a lâmina aprofundar enquanto ouvia a respiração pesada e cada vez mais alta de Danny,  encostou-se na banheira, olhou  para a água vermelha, a visão turva e escura.

Ouviu os gritos e vozes vindo de Danny que se contorcia freneticamente e revirava os olhos, sentiu a água a na banheira balançar quando todo o apartamento começou a tremer.

Quando tudo se acalmou e Danny parou de se mover ela fechou os olhos e suspirou.

__ Susana…

Ouviu alguém dizer, era a voz de Danny, sentiu-o tocar seu corpo, o toque de seus lábios em sua testa, enquanto sua respiração e batimentos ficavam cada vez mais fracos.

__ Querida o que aconteceu? Por que fez isso?

A coisa no corpo de Danny havia desaparecido, assim como o fantasma de Patrícia parado ao pé da porta do banheiro.

Ela estava livre assim como Danny, já não sentia mais a preferência da assombração, ela sorriu ao observar uma sombra negra e horripilante se contorcer e gritar enquanto tentava se aproximar de onde ela e seu marido estavam.

Ao longe, enquanto ela ficava cada vez mais fria e fraca ela conseguia ouvir a voz de seu marido chamando-a desesperado, com a cabeça em seu ombro, ela sorriu quando ele a pegou em seu colo, então fechou os olhos enquanto saiam do apartamento.

📿📿📿📿📿

Naquela mesma noite enquanto  observava o corpo de sua esposa em um necrotério Danny Hilton fora informado que as digitais encontradas em sua casa, pertenciam a um homem perturbado e que estava morto a mais de 30 anos.

Também fora informado sobre a morte de uma mulher chamada Patrícia, cujo o conjugue, residia em um presídio, em uma carta o homem o informara sobre a morte da esposa, que ela havia se suicidado da mesma maneira que Susan.

Também o informara sobre a visita que Susan havia lhe feito. Assim como ele, Susan acreditava que o apartamento era assombrado pelo fantasma de um homem perturbado que assassinara sua esposa a facadas ao descobrir que ela era infiel.

Nas câmeras de segurança do prédio não havia se quer uma única evidência de alguém desconhecido entrando ou saindo do apartamento. Somente Susan e mais tarde Danny entrando e correndo com ela em seu colo enquanto uma trilha de sangue e alguns vizinhos o acompanhavam.

A polícia decidira fechar o caso depois de descobrir sobre os remédios para depressão e ansiedade receitados por um psicólogo para Susana Hilton.

Depois dos acontecimentos bizarros daquela noite Danny Hilton não voltou ao apartamento, duas depois ele se mudou para Los Angeles, onde passará a morar com os pais e uma irmã mais nova.

Sempre que interrogado sobre o suicídio de sua esposa ele contava que fora devido ao acidente em que ela perderá seu primeiro bebê.

Mais lá no fundo embora não quisesse acreditar no que sua esposa dizia sempre que tinha pesadelos, e nos relatos de uma senhora cega e de um dos ex inquilinos do prédio.

Bem lá no fundo ele sabia que Susana não era louca, e que a sombra se contorcendo ao lado de sua cama dias antes se toda a tragédia não era sua imaginação.

Ele realmente havia presenciado algo aterrador e que jamais iria esquecer. Danny nunca mais tocara em qualquer assunto relacionado ao Dickens Palace Hotel, o belo prédio de janelas azuis que fascinara seus olhos e se tornara o túmulo de sua esposa.

Danny havia aprendido uma lição. Se a luz existe a escuridão está a sua vítima cercando-a. E ele sabia que havia algo mais além de hóspedes naquele prédio. Uma escuridão aterradora.



                              📿📿

                              Fim


O conto acima faz parte de uma coletânea de contos publicados no wattpad cujo o título se chama Contos  do Terror Vol. II: Contos de Arrepiar de inha própria autoria.
A cópia desta obra e todos os seus direitos será considerado  como plágio.