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Contos Do Terror Vol. II: Contos de Arrepiar.

A FAMÍLIA

Hanky soltou a respiração pesadamente e abriu seu guarda chuva quando começou a chover, caminhava apressado em meio a multidão de pessoas que tentavam fugir da chuva.

Tinha saído um pouco mais cedo do trabalho, e aquele parecia seu dia de sorte já que levara o guarda chuva, tinha sido contratado por uma imobiliária para vender alguns apartamentos em um prédio recém reformado em Los Angeles.

Seria bem pago e quando terminasse poderia voltar para casa e para sua esposa. Tiraria umas férias depois daquela semana em Los Angeles.

Desviando de uma senhora ele apressou ainda mais os passos e parou embaixo da sacada de uma lanchonete enquanto a chuva forte continuava a cair.

Tinha decidido caminhar até o prédio mais não esperava que fosse chover, a previsão meteorológica não anunciara nada sobre uma forte chuva como aquela.

Então desistiu de caminhar e acenou para um táxi que passava e alguns minutos depois estava em frente ao prédio aonde havia alugado um quarto para ficar enquanto estava na cidade.

__ Hoje foi um dia e tanto não é senhor Palmer?

Ouviu o porteiro do prédio dizer e sorriu e se aproximou do homem, deixou o guarda chuva junto a outros totalmente encharcados em um canto e suspirou cansado.

__ É, não foi um dia fácil e com essa chuva só piora.__ Disse ele e tirou seu casaco, cumprimentou uma senhora que morava no quarto ao lado e encarou o porteiro.__ Acredita que eu tinha cogitado andar a pé até aqui?

__ Caminhar é bom para a saúde e para o corpo.__ Disse o homem e deu alguns socos no ar animado.

__ Minha esposa sempre diz a mesma coisa.__ Disse ele e sorriu antes se sair, pensou em sua família, em breve voltaria para casa.

Pegou o elevador e subiu para seu apartamento, tomou um banho longo e depois pediu o jantar. Estava analisando os últimos contratos daquela semana quando o telefone tocou.

__ Oii querido como estão indo as cosias?__ Perguntou ela e ele sorriu ao ouvir o som de Mika sua filha mais nova gritando ao longe.

As crianças pareciam animadas constatou ele. Talvez por que sabiam que em breve o pai voltaria para casa.

__ Estou indo bem no trabalho, em uma semana consegui vender quatro apartamentos.__ Disse ele e se sentou no sofá.__ E você e as crianças como estão?

__ Bem, estamos todos bem, Larry tem uma apresentação mês que vem e Mika também.__ Disse ela e uma das crianças grirou. Sorrindo Hank tomou outro gole de chá e suspirou.__ Lembre-se de trazer um presente para mim e outros para as crianças querido.

__ Não se preocupe, eu levarei…__ Disse ele e ouviu a campainha tocar. __ Querida eu tenho que desligar, a campainha está tocando e eu estou exausto.

__ Está bem. Também tenho que corrigir umas anotações do trabalho.__ Disse ela e suspirou.__ Eu te amo Hank, tenha bons sonhos.

__ Eu também
te amo, dê um beijo nas crianças por mim.__ Disse ele e olhou impaciente para a porta quando a campainha tocou novamente.__ Boa noite e me ligue se acontecer algo.

__ Eu vou ligar. Tchau.

__ Tchau.

Desligando o telefone, Hank largou o aparelho sobre o sofá e caminhou até a porta, tocou a massaneta gelada e sentiu um calafrio, abriu a porta sem antes olhar pelo olho mágico e xingou mentalmente quando notou que o corredor estava vazio.

Não havia nada e nem ninguém, saindo para fora ele fechou a porta e caminhou pelo corredor, virou a esquerda e sorriu irritado quando as portas do elevador começaram a se fechar.

Dentro do elevador uma menina segurando um urso de pelúcia sorriu e acenou para ele, saindo elevador antes que ele fechasse ela correu em sua direção e sorriu.

Krista era deficiente auditiva, também era muda, usava sinais e configurações de mãos para se comunicar.

__ Você apertou a campainha?__ Perguntou ele ao fazer gestos com as mãos.

__ Não fui eu. Também não sei quem fez isso.__ Disse Krista, fez uma careta de medo.__ Eu não gosto naquele apartamento. É frio lá dentro, e tem alguém vivendo na dispensa.

__ Não tem nada lá, é apenas um apartamento sem ninguém.__ Disse Hank.__ De qualquer forma vou embora no sábado. E você aonde está indo ?

__ Brincar com a Winie do primeiro andar.__ Disse Kristie.__ Eu tenho que ir, minha amiga está me esperando. Tchau.

__ Tchau.__ Disse ele e sorriu ao acenar um adeus, observou-a entrar no elevador e se ergueu.__ Crianças…

Sussurou ele e se virou, caminhou de volta pelo corredor e parou em frente a sua porta, quem quer houvesse passado naquele corredor havia tocado sua campainha.

A julgar pela altura de Kristie ele deduziu que a garota era inocente, era uma criança comportada, e estudiosa apesar de sua deficiência.

Talvez alguém tenha apertando sua campainha por engano, pensou até mesmo que tudo não passava de sua imaginação. Depois de um dia exaustivo, sua mente e corpo estavam cansados.

Entrando no apartamento ele fechou a porta e caminhou até o sofá, afrouxou a gravata e inspirou profundamente, pensou em sua esposa e em seus filhos e sorriu antes de começar a dormir.

Acordou por volta da meia noite depois de um pesadelo onde ele era empurrado da janela de seu quarto, ascendeu o abajur e desligou a TV que mostrava a reportagem de uma tempestade que cairia sobre a cidade durante a madrugada.

Pegou a caneca com o resto de café e olho uma última vez para a TV. Não se recordava de ter ligado a televisão, balançou a cabeça e sorriu, o cansaço estava começando a lhe pregar peças.

Sentiu um calafrio quando um vento frio entrou pela janela aberta, as cortinas balançando, fechou a janela e caminhou até a cozinha, depositou a caneca sobre a pia e estava prestes a se virar quando ouviu um soluço baixo.

Virou-se em direção a dispensa e espreitou os olhos, ascendeu a luz da cozinha e tremeu ao ouvir o soluço novamente. Se aproximou da porta da dispensa e tocou a massaneta.

Abriu a porta e ascendeu a luz, sorriu incrédulo ao notar que o cômodo estava vazio. Fechou a porta novamente e se virou, ouviu algo cair dentro da dispensa e abriu a porta novamente.

Haviam alguns alimentos enlatados no chão, uma vassoura ao lado da porta e um avental pendurado por um prego na parede.

Entrou no cômodo e colocou os alimentos na prateleira novamente, sentiu um arrepio quando a pequena sala começou a esfriar subitamente, abraçou-se e saiu para fora ao fechar a porta.

Esperou ouvir algo novamente e depois de alguns minutos saiu, se perguntou se seriam ratos a derrubar os alimentos, a julgar pela data de validade aqueles alimentos estavam ali há um bom tempo.

Sabia que o apartamento estava desabitado há pelo menos um ano e meio. Por seu último dono ter falecido enquanto dormia algumas pessoas ficavam ociosas em querer o quarto.

Entrando em seu quando ele ascendeu as luzes e tirou sua camisa, entrou no banheiro e depois de um banho rápido ele apagou as luzes e voltou a dormir.

Acordou duas horas depois de algo frio tocar seu pé esquerdo estava fora das cobertas, engoliu em seco e ascendeu a luz do abajur quando algo parecido com uma mão apertou seu dedão.

Ofegante e confuso ele olhou ao redor do quarto e tremeu quando um vulto se moveu no canto esquerdo e ele engoliu em seco quando dois pontos braços surgiram na escuridão, tentou desviar o olhar, mais seu corpo não se movia, um grito de pânico e medo preso em sua garganta.

Como se os pontos crescessem e mãos surgissem da escuridão em sua direção ele sentiu o quarto ficar frio, algo segurou em suas pernas, sentiu um calafrio e lágrimas rolaram em seu rosto quando pelo canto do olho ele notou algo ao lado da cama.

Uma mulher com os olhos furados, a língua arrancada, o nariz perfurado enquanto sangue imundava seu rosto e cabelos, as mãos pálidas tocaram seu pescoço e ele começou a sufocar, sem forças ele sentiu seu corpo cair sobre a cama e aos poucos foi perdendo a consciência enquanto sons de uma pessoa muda tentando se comunicar com ele ecoavam por todo o apartamento.

Naquela mesma noite depois de várias ligações da esposa de Hank e de um dos vizinhos relatando barulhos estranhos no apartamento, o corpo do corretor imobiliário fora encontrado em seu quarto, de acordo com o laudo médico o homem morrera de infarto.

📿📿📿

1 ano depois…

__ Este é o seu nosso novo lar bonequinha.

Disse Rose ao abrir a porta do apartamento. Por sorte ao se divorciar de seu ex marido abusivo ela havia conseguido comprar o apartamento 1705, de um prédio próximo local onde trabalhava.

Tinha visto o anúncio do prédio em um jornal e decidido comprar o imóvel. Depois de se divorciar e conseguir a guarda definitiva de Alice ela havia se mudado para Los Angeles.

Aos vinte e nove anos Rose Vincent era uma dentista e mãe solteira de uma menina muda, os pais moravam em outro país, assim como seu ex marido. Tinha decidido começar sua vida ao lado de sua filha e esquecer o passado ardiloso que havia vivido.

Alice, uma menina de sete anos era uma criança esperta e ativa, e apesar de sua deficiência, era considerada um gênio em sua antiga escola. Por sorte havia uma escola para crianças especiais no mesmo bairro.

Tinha contratado uma babá por meio período, uma vez que ela dividiria a clínica de odontologia com seu tio. Trabalharia durante todo o dia.

Aspirando o ar de seu novo lar ela sorriu quando Alice segurou em sua mão.

__ Eu posso ver TV?__ Perguntou ela, sorriu gentilmente.

__ É. Claro. Que pode.__ Disse ela ao se abaixar e fazer o sinal de ok com a mãos. __ Depois que assistir vá organizar seu quarto, ok?

__ Ok.__ Disse a menina e a abraçou, beijou seu rosto e correu até o sofá, ligou a TV e começou a pular como os desenhos da TV.

Saindo da sala, ela caminhou até a cozinha e começou a preparar alguns sanduíches, depois de um dia cansativo estava exausta, terminando de preparar o lanche ela colocou a comida em uma bandeja e pegou a jarra na geladeira, encheu dois copos com suco e sorriu antes de voltar para a sala onde Alice assistia seus desenhos animados.

__ Fiz um lanche pra gente comer.__ Disse e a pequena Alice sorriu.__ Quando terminar vá para o quarto e me espere, vamos tomar banho.

__ O lanche está muito bom.__ Disse Alice e fez o gesto de gostar com a mão esquerda.

__ Que bom que você gostou.__ Disse ela sorriu antes de mastigar dia comida.

Quando a garota terminou de comer e correu para seu seu quarto, recolhendo os copos e restos do lanche Rose levou os recipientes para a cozinha e depois de lagar a louça que havia sujado, ela apagou as luzes da cozinha e encontrou Alice em seu quarto.

__ Vamos tomar banho. __ Disse ela e a menina correu para o banheiro.__ O que acha de irmos ao parque no fim de semana?

__ Podemos levar o Tedd?__ Perguntou Alice enquanto entrava na banheira com água e sabão.

__ Quem é Tedd?__ Perguntou Rose e Alice se encolheu dentro da banheira. __ Ele estava em meu quarto ontem. Ele mora aqui.

Sentindo um arrepio, Rose engoliu em seco e segurou na mão de Alice.

__ Você criou um amigo imaginário? __ Perguntou ela e a menina sorriu antes de fazer que não com a cabeça.__ Não tem ninguém aqui além de mim e você querida.

__ Tem o Tedd e a mãe dele.__ Continuou Alice e apontou para a porta.__ Eles estão lá na dispensa, eles me contaram que tem medo do homem louco.

__ Querida, onde você viu essas coisas? Alguém contou uma história de terror na escola?__ Perguntou ela quando e se ergueu preocupada.__ Não preste atenção nessas histórias. E tire da cabeça. Não tem ninguém em nosso apartamento. Só há eu e você.

__ A mãe do Tedd não gosta de você.__ Continuou a menina e a abraçou molhando sua roupa.__ O homem louco também não gosta da gente.

Sentindo um arrepio ela pegou Alice no colo e a levou para o quarto preocupada. Alice nunca havia dito aquelas coisas antes, e vê-la assustada daquela forma a deixava preocupada.

Se perguntou quem havia contado uma história tão estranha para a menina. Quem a assustaria daquela forma.

Depois de vestir Alice e a colocar para dormir ela saiu para fora do quarto e apagou as luzes, deixou somente o abajur aceso e voltou para a sala ao ouvir a campainha tocar.

Olhou pelo olho mágico e espreitou os olhos. Não havia ninguém do lado de fora. Voltou para a cozinha e estava prestes a beber um copo de água quando a campainha tocou novamente.

Abriu a porta irritada e olhou para os lados, não havia nada e nem ninguém do lado de fora, fechou a porta e caminhou até o final do corredor virou a esquerda e se abraçou quando um calafrio á atingiu, não havia nada.

Voltando para seu apartamento ela fechou a porta e as janelas da sala e desligou a TV. Voltou a cozinha bebeu um copo de água e estava prestes a sair quando ouviu um soluço vindo da dispensa, tentou abrir a porta mais está estava emperrada.

Tentou abri-la mais não conseguiu. Olhou pelo olho mágico e se afastou quando enxergou algo branco do outro lado. Sentiu um cheiro de algo podre vindo do cômodo e se afastou com a mão na boca.

Era como se houvesse um animal morto do outro lado, olhou para o chão e impediu a si mesma de vomitar quando moscas saíram por baixo da porta.

__ Alô, oi eu me chamo Rose Vincent e moro no 1705 no 57 andar. Eu gostaria de relatar que há algo estranho na dispensa do apartamento.__ Disse ela ao deixar a cozinha e ligar para o síndico do prédio.__ Eu senti cheiro de algo podre e a porta não abri, está emperrada. Vocês poderiam enviar alguém amanhã para consertar? Está bem então, irei esperar.

Desligando o telefone ela voltou para a cozinha novamente e observou a porta a uma curta distância, sentia que havia algo por trás daquela porta, se perguntou se seria algum rato morto.

Suspirando preocupada e cansada ela apagou as luzes da cozinha e voltou para a sala quando a TV fora ligada, pelo visto Alice não havia dormido, voltou a sala e tremeu quando notou Alice parada em quanto segurando um urso de pelúcia com a cabeça arrancada.

Ela fazia sons estranhos como se quisesse dizer algo enquanto encarava o canto vazio. Ascendendo todas as luzes ela se aproximou rapidamente e se abaixou ao lado da menina.

__ Querida por que não está na cama?__ Perguntou ela quando a menina a abraçou. O rosto molhado por lágrimas.__ O que aconteceu?

__ O Tedd nãodeixa dormir, ele arrancar cabeça urso.__ Respondeu a menina e a entregou o objeto.__ Ele ali no canto, a mamãe dele colocar ele de castigo por que ele não se comportar.

Pegando Alice no colo ela se afastou do canto nervosa e preocupada, sentou-a no sofá e inspirou profundamente. Olhou para o novamente quando a sensação de está sendo observada lhe causou um calafrio.

__ Não tem nada no canto, o Tedd não existe é tudo sua imaginação.__ Disse Rose e apontou para seu coração.__ Se você dizer essas coisas e fizer essas brincadeiras mamãe irá ficar triste.

__ Eu não querer mamãe triste.__ Disse a menina e fez uma expressão de tristeza.__ Mamã e Tedd ser triste. Eu não querer mamãe assim.

__ Então esqueça isso tudo e volte a dormir está bem?__ Disse ela e abarocu a menina.

__ Eu dormir mamãe ?__ Perguntou Alice.

__ Sim. Sempre.

Pegando Alice no colo Rose apagou as luzes da sala voltou para seu quarto e fecho a porta, deitou-se com Alice ao seu lado e a abraçou antes de dormir.

Acordou por volta da meia noite ao ouvir algo arranhar a porta do quarto, ascendeu as luzes e tremeu ao não ver nada dentro do cômodo, se perguntou se tudo aquilo não seria sua mente cansandalhe pregando peças.

Pensou na sensação de ser observada mais cedo, na sensação de haver logo dentro da dispensa. Lembrou-se das histórias contadas por Alice e tremeu quando um vento frio balançou as cortinas da janela.

Abraçando Alice em um abraço apertado ela beijou sua testa e suspirou os olhos e fechou os olhos.


Na manhã seguinte o síndico havia mandado alguém visitar o apartamento de Rose, mais não havia nada na dispensa. Com a excessão de alguns objetivos tudo esteja perfeitamente bem.

Maia Rose não imaginava que sua vida mudaria drasticamente nas semanas seguintes.

….

Três semanas depois.


Rose ficara surpresa quando o síndico bateu em sua porta acompanhado de um detetizador, ela não era a única a reclamar de um súbito mal cheiro em algum lugar dos apartamentos.

E embora uma três semanas houvessem se passado Rose não conseguia entender as sensações de medo e de está sendo observada sempre que estava na cozinha ou dormindo.

A comida na geladeira e na dispensa também continuava a estragar de forma inexplicável, assim como o comportamento da pequena Alice também havia mudado.

A menina quase não dormia a noite, assim como ela que acordava as três da madrugada depois de pesadelos assustadores.

As histórias contadas por Alice sobre uma mãe e seu filho vivendo na dispensa também haviam aumentado. Tinha levado a menina a um psicólogo infantil, mais não resultará em nada.

Se perguntou se a menina sentia falta do pai? Ou se os problemas haviam começado devido a seu trabalho? Não sabia, a única explicação é que algo não estava certo com o comportamento de sua filha.

Agora um mês depois os vizinhos comentavam sobre ela. As crianças a chamavam de louca. Aquela era a quarta vez que ligava para o síndico relatando o mau cheiro na pequena dispensa.

Mais para sua surpresa e completa confusão não havia nada morto ou podre em sua dispensa, também não haviam sinais de moscas nas tubulações e ventilação do apartamento.

Com a exceção de algumas latas com comida enlatada e alguns objetos de limpeza pertencentes ao último dono não havia nada no cômodo.

Mais ela jurava ter visto algo na noite anterior, tinha visto com seus próprios olhos moscas saírem por baixo da porta enquanto um cheiro de algo podre invadia a cozinha como s3mpre acontecia.

Depois de se despedir do síndico e do detetizador ela tomou um banho e comeu seu café da manhã ao lado de Alice, deixou-a na escola e entrou no trabalho as oito da manhã e saiu as três da tarde depois de uma ligação da babá de Alice.

Agora adentrando o hospital onde Alice era atendida por um médico depois de cair da cama ela se perguntou como aquilo havia acontecido.

Encontrou Ella, a babá em completo desespero e medo andando de um lado ao outro do corredor da ala hospitalar.

__ Ella o que aconteceu?__ Perguntou ela e tremeu quando a garota segurou em suas mãos.__ Por favor me diga que ela está bem. O que houve?

__ Sim, ela apenas sofreu alguns arranhões. Olha desculpe senhora Vincent, eu não deixei ela sozinha, a campainha tocou e eu fui ver quem era, mais não tinha nada e nem ninguém.

Sentindo um calafrio ela engoliu em seco e lembrou-se da noite anterior quando ouviu a campainha tocar. Realmente não havia ninguém do lado de fora. Se perguntou o que estava acontecendo. Aquilo vinha acontecendo muito nos últimos dias.

__ E como ela se machucou?__ Continuou e a jovem enxugou o rosto molhado por lágrimas.

__ Eu escutei vozes vindas do quarto, então quando entrei a Alice estava em pé encima da cama, com as mãos estendidas e os olhos vendados, então como se alguém tivesse empurrado-a, ela caiu e machucou um dos braços.

__ Como assim algo empurrou ela?__ Perguntou ela e se sentou em um banco.__ Do que você está falando?

__ Eu não sei como explicar… Mais é como se ela tivesse sido empurrada. Ela me falou que tem um garoto que vive na dispensa, junto com a mãe dele e que o homem louco matou eles…

__ Desde que nos mudamos ela inventou amigos invisíveis e vive correndo pelo apartamento. Só que eu não esperava que ela pudesse inventar uma história tão assustadora. __ Disse Rose e inspirou cansada.__ O que mais ela disse ?


__ Ela fica em pé em frente a porta da dispensa e no canto esquerdo próximo a janela da sala.__ Continuou a garota.__ Ontem antes de dormir a tarde ela disse que queria rezar.

__ E você fez isso?__ Perguntou Rose e caminhou até a sala onde o médico estava, olhou uma enfermeira emfaichando o braço de Alice e engoliu em seco.

Não era uma mulher ligada a religião, vinha de uma família de ateus, mais Alice talvez acreditasse em Deus por influência de seu pai.

__ Sim. Eu rezei e vou continuar rezando. Olha senhora Vincent, eu gosto muito da Alice mais não quero continuar como a babá dela.__ Disse a jovem e se abraçou.__ Eu estou com medo. Também não quero voltar naquele lugar. Eu sinto que há algo naquele apartamento.

Pelo visor Alice havia conseguido se livrar de sua babá com a história do menino que viva na dispensa. Mais ela não acreditava em Alice. No começo pensara ter sentido algo observando-a, mais tudo não passava de sua mente cansada depois de horas de trabalho.

__ Espera, isso é só a mente da Alice, não fique com medo. Além disso não tem nada naquele apartamento. __ Disse ela preocupada e a garota balançou a cabeça e se afastou quando ela tentou segurar em suas mãos.__ Além disso a Alice é só uma criança. Ela é muito pequena. Não faz isso de propósito.

__ Eu sei, só que realmente não da pra continuar.__ Disse a babá e se ergueu ao pegar sua mochila.__ Eu tenho que ir, não posso ficar. Eu sinto muito.

__ Não se preocupe, lhe pagarei amanhã.__ Disse Rose quando a jovem acenou e saiu em silêncio.

Soltando um suspiro cansado Rose não conseguia conter as próprias lágrimas, colocou as mãos na cabeça e inspirou fundo, estava exausta e tinha a impressão que aquilo era apenas o começo de algo.

📿📿📿

Duas semanas depois.

__ Alice onde você está?

Disse Rose ao se abaixar e pegar uma boneca de Alice embaixo da cama, soltou a boneca e se afastou quando um punhado de cabelos se desprendeu da roupa da boneca.

Com nojo ela se afastou e olhou para o brinquedo, a boneca tinha o rosto sujo de algo vermelho e os olhos estavam arrancados, largando o objeto ela abriu a janela do quarto e engoliu em seco.

Correu para a cozinha e depois voltou para o quarto com as mãos cobertas com luvas brancas, pegou o punhado de cabelo preso a um grampo e tremeu ao sentir o cheiro de podridão, o colocou dentro de uma sacola e o jogou no sexto de lixo.

Minutos depois com uma lanterna ela iluminou embaixo da cama e ficou surpresa ao encontrar a cabeça do urso de Alice, os olhos arrancados igualmente os da boneca.

O punhado de cabelos pertencia a boneca assim como o grampo. No entanto aqueles cabelos por um momento pareciam cabelos humanos.

Com a metade do corpo embaixo da cama ela ouviu passos se aproximarem da cama e depois das mãos pequenas de Alice tocarem seus pés. Sorriu diante da carícia gentil que lhe fizera cócegas.

Embora fosse muda Alice escutava bem de um dos ouvidos e usava um aparelho auditivo no outro.

__ Alice querida, por que fica estragando os brinquedos que a mamãe compra?__ Perguntou ela quando e Alice começou a fazer círculos na palma de seus pés.__ Querida pare com isso, faz cócegas.

Sorrindo ela ouviu Alice caminhar até o outro lado da cama e parar enfrente a ela, esticou a mão mais parou quando sentiu Alice tocar seu pé esquerdo novamente.

Grirou quando olhou trás e se moveu um pouco, Alice continuava a brincar com seu pé, sentiu o coração acelerar e olhou para a frente novamente, tremeu e começou a se afastar rapidamente quando um par de pernas adultas desceram tá cana e sangue começou a escorrer das pernas pálidas da criança.

Saindo completamente de debaixo da cama ela sentou-se no chão, o rosto molhado por lágrimas e o coração acelerado. Com as mãos trêmulas ela sentiu Alice abraça-la e olhou para trás. Se ergueu e contornou a cama, não havia sangue no chão, também não havia ninguém mais no cômodo além dela e sua filha.

__ Por que você está chorando?__ Perguntou Alice e a encarou preocupada.

__ Eu me assustei com algo. Estou um pouco cansada por causa do trabalho.__ Disse ela e suspirou. __ Eu pensei que você estava embaixo da cama. Estava procurando você.

__ Eu dentro do guarda roupas com o Tedd. brincando esconde esconde.__ Disse Alice e apontou para o guarda roupas.__ Tedd não gostar de você. Homem louco e a mamãe Tedd também não.

__ Por que eles não gostam de mim ? __ Perguntou ela quando sentiu um arrepio.

__ Você morar casa Mamãe Tedd e Homem louco também.__ Continuou Alice e apontou para a parede.__ Ele no outro quarto com mamãe Tedd de novo. Mamãe Alice não ouvir gritos?

Erguendo-se ela respirou profundamente e pegou a pequena Alice no colo, saiu do quarto e abriu a porta de seu quarto e depois olhou para Alice.

Depois de alguns minutos ela fechou a porta e saiu, caminhou até a cozinha e abriu a porta da dispensa. Queria provar para a criança que não havia ninguém na casa além delas duas. Colocou a menina no chão e acendeu a luz da dispensa.

__ Viu não tem nada aqui. Ninguém mora no meu quarto e também não ninguém na dispensa.__ Disse ela e fechou a porta da dispensa.__ A Mamãe Tedd, O homem louco e o Tedd não existem.

__ Eles existem e querem que a gente vá embora.__ Disse a menina e cruzou os braços. Fazia aquilo para demostrar que estava triste e chateada.__ Eles viver aqui…

Apontando uma última vez para a dispensa Alice correu irritada para a sala quando ela tentou abraça-la, não podia ouvir seus soluços mais sabia que ela estava irritada e chorando.

__ Alice querida bata duas vezes na mesa de centro se você quiser um lanche.__ Disse ela e suspirou quando a menina bateu uma vez na mesa.__ Você está mesmo irritada?

Ela bateu duas vezes e continuou batendo como se estivesse repetindo que estava irritada. Ouviu o barulho da TV sendo ligada inspirou.

Estava prestes a sair da cozinha quando ouviu um soluço vindo da dispensa e sentiu um calafrio quando algo frio tocou seu ombro. Com a respiração presa ela olho para seu ombro e tremeu quando notou uma mão pálida encima de seu ombro.

Ouviu alguém grunir atrás dela, era como se alguém tentasse dizer algo ou chama-la, quase igual a uma pessoa muda tentando se comunicar. O som a fez prender a respiração.

Com o rosto coberto por lágrimas, mordeu a parte interna da boca quando sentiu seu ombro doer. Fechou os olhos e estava prestes a se virar quando Alice entrou correndo na cozinha e abraçou suas pernas arrancando-a de seu torpor.

Caiu de joelhos e sem voz no chão, as mãos trêmulas, lágrimas ganhavam seu rosto, sentiu as mãos quentes de Alice enxugarem seu rosto e a abraçou.

__ Mamãe Tedd atrás de você. Ela querer você ir embora.__ Disse Alice e apontou para a dispensa.__ Homem louco sala assistir TV. Ele zangado, Tedd castigo de novo.

__ Por que o Tedd está de castigo?__ Indagou ela nervosa.__ E onde está a mamãe Tedd?

__ Tedd arrancar olho urso e bagunçar roupa mamãe Alice. __ Disse Alice e Rose se ergueu.__ Mamãe Tedd dispensa de novo, Homem louco bater rosto dela.

Com o coração acelerado Rose pegou Alice no colo quando ouviu um suspiro vindo da dispensa. Saiu caminhado de costas pela cozinha e depois correu para a sala. A TV ligada transmitia um jogo de beisebol.

Sentindo um calafrio Rose correu até a porta da frente e saiu para fora do apartamento quando pensou ter ouvido alguém se mover no sofá. Lágrimas molhavam seu rosto enquanto entrava no elevador.

O que quer que Alice houvesse inventado estava começando a afetar sua mente também. Apertando o botão do primeiro andar onde um antigo namorado seu morava e se encostou na parede do elevador.

__ Mamãe, onde vamos. Eu não deixar Tedd sozinho…__ Se abaixando ela segurou as mãos de Alice e a encarou.

__ O Tedd não existe Alice. E estamos indo até o apartamento do Zane. Vamos ficar lá hoje a noite.__ Disse ela e se ergueu quando o elevador parou e as portas se abriram.

Alice segurou na barra de seu vestido e o puchou.

__ Me não querer ir. Tedd sozinho.__ Mordendo a parte interna da boca ela inspirou profundamente.

__ Obedeça mamãe Alice. Tedd não existir, Ok?__ Disse ela e soltou a respiração. Pegou Alice no colo e correu até o apartamento de Zane.

Apertou a campainha e tentou sorrir quando ele abriu a porta e sorriu alegremente. Mais ficou sério assim que notou Alice chorando.

__ Rose o que aconteceu? Por que você e Alice estão chorando ?__ Perguntou ele quando ela adentrou o apartamento. Passou por ele e se sentou no sofá.__ Rose? O que houve?

Em silêncio ela o encarou por alguns minutos. Cansada e irritada Alice havia pegado no sono enquanto ela organizava a própria mente.

Tocou um pouco de água com açúcar oferecido por Zane.

__ Zane, você acredita em vida após a morte?__ Perguntou ela quando ele se abaixou e todo seu rosto. __ Você acredita em fantasmas?

__ Eu não sei. Depende se eu ver alguma coisa que não seja normal.__ Disse ele e sorriu.__ Mais por que está perguntando isso?

Em resposta ele apenas voltou a chorar. Se perguntou em qual momento havia começado a duvidar de sua própria sanidade, em qual momento começara a acreditar nas história inventadas por Alice.

__ Tem coisas acontecido no meu apartamento. Eu estou com medo Zane.__ Disse ela, a voz embargada, as mãos trêmulas. Colocando Alice em um lado do sofá ele suspirou e a encarou. __ Alice ficava falando de uma família que vive na dispensa. Eu não queria acreditar mais…

__ Ei tenha calma ok? Respire fundo.__ Disse ele.

__ Eu não queria acreditar mais ontem, e hoje eu vi umas coisas fora do normal.__ Disse ela.

__ E o que você viu?__ Perguntou ele e ela engoliu em seco.

__ Eu vi um menino e um homem no meu quarto, perto da cama.__ Disse ela e suspirou.__ Depois eu vi uma mão pálida encima do meu ombro. Tinha alguém atrás de mim.

Erguendo-se ele suspirou cansando e a abraçou. Chorou em silêncio algumas vezes e soltou a respiração.

__ A um ano atrás um corretor de imóveis morreu misteriosamente naquele lugar. Ele era meu irmão mais velho. Ele não tinha nenhum problema de saúde, seu coração era perfeitamente saudável, mais ele morreu de infarto. Ninguém, nem mesmo os médicos puderam explicar o que houve. __ Começou ele.__ As pessoas do prédio dizem que aquele apartamento é amaldiçoado. Quando vim investigar sobre a morte de meu irmão, descobri que aquele lugar é assombrado por uma família.

__ Qual a história daquela maldita família?__ Indagou ela.

__ Bem, alguns dizem que a família era feliz, até a chegada de uma família que morava em outro andar. O pai de Tedd sofria de esquizofrenia, a mãe era uma enfermeira, ele matou a esposa e o filho em um acesso de raiva ao paga-la no flagra com o amante, ele escondeu os corpos na dispensa. Furou os olhos da mulher e arrancou sua lingua. Assim como fez com o filho.

Disse Zane e ela sentiu um arrepio.

__ Depois convidou o amante de sua esposa para vir ao apartamento e o matou em um dos quartos. A esposa do amante ao entrar encontrar o corpo do marido se matou e matou seu próprio filho também. E por último o pai de Tedd também comenteu suicídio.__ Suspirando ele tocou seu rosto.__ De acordo com os moradores do andar, ninguém vive muito tempo naquele apartamento, aquele lugar é amaldiçoado.

__ Alice disse que o homem louco quer que a gente saia.__ Disse ela.__ Antes eu pensava que eram apenas brincadeiras, depois que era por causa do trabalho e do estresse… Mais agora nem sei o que pensar.

__ Saia daquele lugar, venha morar comigo.__ Disse ele e a abraçou apertado.__ Não volte mais lá ok? Eu não quero que você acabe como meu irmão mais velho. Não quero perder você também.

__ Eu não quero voltar.__ Disse ela e fechou os olhos. Estava exausta.

…..

Rose não sabia bem quando havia pegado no sono, acordou hora a depois, a cabeça pesada, havia um bilhete de Zane encima de algumas revistas encima da mesa de centro. Ele tinha voltado ao trabalho.

Sorriu e observou outro bilhete caído no chão, nele um desenho feito por Rose indicava que ela havia voltado para o apartamento.

Largou o papel e correu para fora do apartamento, entrou no elevador desesperada o botão do 57 andar e enxugou as lágrimas. As mãos trêmulas, o coração acelerado.

Alice havia voltado ao apartamento quando ela pegara no sono, com certeza tinha esperado Zane sair.

__ Vai mais rápido… __ Gritou ela e socou a parede do elevador várias vezes.__ Droga…

Culpando-se ela saiu desesperada quando o elevador se abriu e correu, desviou de um garoto e parou em frente a porta de seu apartamento. Respirou profundamente e abriu a porta.

Ascendeu as luzes da sala e saltou quando a TV ligou sozinha, se aproximou e puchou extensão da tomada. E quando a TV ligou novamente ela apenas a empurrou contra o chão irritada.

Correu até o quarto de Alice e engoliu em seco antes de entrar dentro do cômodo frio e escuro.

__ Alice? É a mamãe. Onde você está?__ Disse ela ao entrar no quarto.__ Bata duas vezes se você está brincado de esconde esconde. Bata uma vez se você está apenas se escondendo…

Antes mesmo que ela pudesse terminar o som de duas batidas ecoou dentro do quarto frio e silencioso. As batidas vinham de dentro do guarda roupas.

Soltando a respiração aliviada ela correu até o guarda roupas e o abriu, estava escuro, com a respiração pesada ela engoliu em seco.

__ Alice, saia vamos voltar para o apartamento do tio Zane.__ Disse ela enquanto chamava por Alice. Afastou as roupas para os lados e se afastou apavorada ao tocar algo frio e molhado.

Olhou para as mãos e tremeu ao notar que era sangue, afastando-se ela observou quando algo começou a sair de dentro do guarda roupas e cobriu a boca com as mãos quando a coisa saiu por completo, como uma sombra a coisa se ergueu dando formato a um homem alto e magro, os olhos arrancados, a língua cortada e o rosto coberto por sangue.

A assombração se contorcia enquanto caminhava até ela erguendo as mãos em sua direção. Soltando um grito de horror apavorada ela se ergueu e correu para fora do quarto.

__ Alice…. Alice, onde você está?__ Disse ela ao entrar em seu quarto, parou próximo a cama desesperada e observou o contorno de um corpo encolhido e coberto pelo corredor.__ Alice…

Tocou o coberto e estava prestes a erguer-lo quanto uma mão pálida segurou na sua e a puchou para baixo do coberto, gritando ela sentiu o ar escapar de seus pulmões enquanto algo cobria seu rosto com o coberto iria asfixiar se não saísse dali.

Então algo frio tocou seu pé e ela observou uma mulher com o rosto completamente podre e coberto de sangue, os olhos arrancados igualmente os da boneca, o cabelo liso e preto cobriam seu rosto pálido, o corpo se contorcendo.

Gritando ela tentou empurrar a mulher e fechou os olhos quando a mulher se arrastou até ficar face a face com ela, abriu a boca de onde saiu sangue e um cheiro de podridão iguais ao da dispensa.

O som que saia da boca da mulher era perturbar, uma mistura de dentes rangendo com chiados de uma ligação falha. Sentiu o desespero tomar conta de seu corpo e começou a se debater quando o sangue que saia da boca da mulher pingou em seu rosto.

__ Não…. Saia… Me deixe em paz…__ Gritou ela e abriu os olhos antes de empurrar a criatura. Rasgou o fino e branco lençol e rolou para fora da cama, caiu e bateu a cabeça no chão.

Estava prestes a se erguer quando a porta do quarto se abriu e algo entrou correndo e se lançou encima da cama, observou uma mão pender para fora da cama e tapou a boca quando sangue escorreu e pingou em seu rosto novamente.

Gritos ecoavam dentro do quarto seguidos choro e berros de uma criança, abriu os olhos e olhou para o lado, havia um menino embaixo da cama.

Uma criança assustada, os olhos do menino estavam arrancados assim como alguns de seus dedos, o corpo pálido e magro sangrava devido a mutilações e feridas.

A criança se moveu e virou a cabeça em sua direção. Seu couro cabeludo também havia sido arrancado assim como seu lóbulo esquerdo. Lembrou-se das histórias contadas por Alice, do menino e sua família.

Erguendo-se um pouco ela observou um homem esfaqueado a barriga de uma mulher e cobriu a boca com as mãos, abaixou-se quando o homem pulou para o chão e começou a andar dentro do quarto enquanto se contorcia e se lançava contra as paredes.

Parecia alguém louco e fora de controle. ” O homem louco não gosta de você… Mamãe Tedd também… ” Lembrou das palavras de Alice e tremeu ao se lembrar de sua filha.

Observando o homem caminhar até a janela ela se ergueu e correu para fora do quarto quando o menino saiu de debaixo da cama e correu. Acompanhou a criança até a cozinha e parou quando notou dois corpos caídos próximo ao balcão.

Uma mulher e um homem, sangue escorria de suas gargantas cortadas, o menino parou ao lado do corpo da mulher e a abraçou enquanto chorava sangue de seus olhos arrancados.

__ Tedd?__ Disse ela em um sussurro e o menino olhou em sua direção.__ Esses são seus pais?

O menino afirmou que sim com a cabeça e ela tremeu, cobriu a boca para não gritar. Lágrimas molahavam seu rosto sujo de sangue.

__ Quem é o homem e a mulher do quarto ? Quem fez isso com você? __ Perguntou ela quando o menino saiu de perto dos corpos.

O menino começou a escrever alto na parede ao lado da dispensa, então voltou para o lado dos corpos quando ouviu passos pesados caminharem na sala. O menino colocou um dedo sobre os próprios lábios e se encolheu.

Rastejando até a parede ela leu as palavras e impediu a se mesma de gritar.

” O homem louco papai do Tedd, eu não ser Tedd, ele meu irmão, eu ser Marcos, mamãe Tedd amante papai Marcos. Mamãe Tedd matar mamãe Marcos. Mamãe Tedd fazer mal Marcos e mamãe Marcos. Papai Marcos salvar Nós. Papai Tedd sala, muito irritado….

Sentindo um calafrio ela engoliu em seco quando alguém parou atrás dela, a respiração ofegante e pesada. Olhou por cima do ombro e grirou quando mãos geladas seguraram em seus ombros e a jogaram contra a parede.

O que quer que a segurasse, segurou em seus cabelos e bateu sua cabeça várias vezes contra a parede, sentiu sua visão ficar turva e gemeu quando foi arremessada contra o chão.

Observou o homem louco segurar em seu pescoço e sentiu o ar escapar de seus pulmões enquanto tentava se soltar. Tentou gritar mais o único o som que saia de sua boca eram os chiados de estáticas.

Estava sufocando, sem forças e com a visão turva ela ouviu a porta da dispensa ser aberta e depois dos passos de Alice se aproximarem dela dela, abriu os olhos machucados e sorriu ao ver o rosto de sua filha.

Tremeu quando a menina a abraçou e começou a chorar, inspirou profundamente e se ergueu, pegou a menina no colo e caminhou até a entrada da cozinha, estava prestes a sair quando o homem louco que horas antes a asfixiava se ergueu do sofá com uma corda em uma das mãos.

Beijando o rosto de Alice ela correu até a porta da frente e a abriu, estava prestes a sair quando algo frio segurou em suas pernas e ela gritou ao olhar para baixo quando observou a mulher que antes havia visto em seu quarto segurar suas pernas.

Tentou se mover e sair para fora do apartamento mais era como se suas penas estivessem plantadas no chão. Alice a abraçou quando o homem louco se aproximou. Os sons emitidos pela mulher da língua arrancada lhe davam arrepios.

O homem louco e a mulher traída estavam consumidos pela raiva, a raiva e a traição havia destruído aquela família. Entendia bem como a mulher traída se sentia e por que tudo aquilo havia acontecido com ela.

Ela também havia sido traída e humilhada, também havia sentido raiva e desgosto. Também havia cogitado matar seu ex marido e sua amante ao pega-los no flagra. Mais por sua filha não havia feito nada.

Decidira seguir sua vida. Decidira encontrar sua própria felicidade.

__ Alice corra para o apartamento do tio Zane. A mamãe vai ficar bem.__ Disse ela e beijou o rosto de Alice.__ Corra…

__ Eu não querer ir.__ Disse a menina. E fez uma expressão de medo e preocupação.__ Mamãe não voltar…

__ Eu vou voltar pra você.

Disse ela e fez o sinal de amo para a menina que se afastou agarrada ao urso de pelúcia e correu enquanto a porta se fechava.

Sozinha Rose sentiu uma corda envolver seu pescoço e gritou antes de empurrar a mulher da língua arrancada. Tentou retirar a corda de seu pescoço e empurrou o homem louco, com a corda na mão ela correu até seu quarto.

Abriu a gaveta do criado mudo e pegou uma caixa de joias enquanto batidas ameaçavam derrubar a porta. Colocou uma aliança de ouro no dedo e gritou quando a porta se abriu.

__ Vocês veem seus desgraçados eu perdoei meu ex marido.__ Disse ela e deu um passo para trás quando a assombração do homem louco surgiu no quarto.

A mulher da língua arrancada se moveu dentro do guarda roupas.

__ Eu não tenho culpa se vocês não se perdoam por tudo que fizeram.__ Disse ela e correu para fora do quarto.

Correu até a dispensa e pegou um galão de gasolina que havia visto em um canto, o corpo de Marcus e sua mãe haviam desaparecido assim como o corpo de seu amante.

Observou um menino de castigo em um canto e engoliu em seco quando o homem louco surgiu próximo a janela. Seu corpo se debatia contra as paredes. Sentiu a mão fria da mulher traída segurar sua perna e gritou.

__ Vá para o interno seus desgraçados.

Gritou ela antes de chutar a mulher. Ascendeu o fósforo e o jogou contra o chão, rapidamente o fogo começou a se alastrar pelo apartamento, respirando aliviada ela respirou profundamente antes de se deixar cair no chão.

Fechou os olhos e sorriu ao se lembrar do sorriso de Alice. Sentiu mãos frias ergueram-na do chão e abriu os olhos machucados, e observou alguém a colocar do lado de fora enquanto as chamas que antes consumiam a sala aos poucos iam se apagando enquanto as assombrações desapareciam.

Antes de apagar ela viu um homem parado próximo a janela, ele se parecia com Zane só que alguns anos mais novos. Sorriu quando o hoemm sumiu.

📿📿📿

Naquela mesma noite Rose fora encontrada por um dos vizinhos depois que Alice informara a segurança que sua mãe estava em perigo.

Quando interrogada dias depois pela polícia a mulher havia contado ter sido agredida por um homem desconhecido, segundo ela o homem a prendera na dispensa e a agredira várias veze, depois de fugir ela desmaiou no corredor.

As câmera de segurança do corredor e do elevador por estarem quebradas não haviam sido úteis na investigação da polícia que dera o caso por encerrado semanas depois. Rose não havia relatado o início de um incêndio, nem mesmo que havia visto uma família de pessoas mortas a anos.

Embora houvesse mentido, Rose e sua filha sabiam perfeitamente o que realmente havia acontecido naquela noite. Ela sabia que ninguém teria paz naquele lugar.

Dias depois ela deixou o prédio ao lado de Alice e Zane. Tinha decidido nunca mais voltar ao prédio. Tinha descoberto que o fantasma do homem que a levara para fora, era o irmão mais velho de Zane.

Meses depois ela e Zane decidiram se casar e deixar Los Angeles. O apartamento 1705 fora interditado depois de um novo incidente onde uma adolescente fora encontrada morta no banheiro. O apartamento nunca fora alugado e uma placa havia sido colocada na porta pelos vizinhos onde dizia ” Amaldiçoado ” em latim.


Rose sabia que aquele maldito lugar era de fato amaldiçoado, seus moradores viviam consumido de raiva e dor.


Não se pode viver em paz em um lugar cheio de ódio. Pois o ódio consome a paz e trás a escuridão.

Fim.

Atenção!

Plágio é crime, este conto faz parte de uma coletânea de contos escritas e publicadas por mim no wattpad. A cópia sem autorização deste ou de qualquer outro conto ou poema escrito neste site pode resultar em multa ou processo.

Atenciosamente, Mary Cast.

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